Foi um dos temas que mais discórdia gerou quando estavam a ser discutidas as novas medidas de um novo confinamento: as escolas. Numa primeira fase foi colocada em cima da mesa a hipótese de os alunos a partir dos 13 anos entrarem também em confinamento e terem aulas via online, no entanto, essa hipótese não venceu.

António Costa apresentou na noite de quarta-feira todas as medidas e referiu que todas as escolas, universidades e centro de estudo vão ficar abertos.

Mas se os jovens a partir dos 13 anos representariam um maior risco de contágio, como lidam agora por saberem que, em muitas famílias, são os únicos a terem contactos que pode apresentar algum risco?

Para o médico José Carlos Almeida Nunes há uma questão essencial: "Não gerar pânico nas crianças".

O especialista de medicina interna explicou ao Womanize: "Como é evidente, a família e os professores, desempenham um importante papel neste aspeto. Ou seja: se por um lado temos de responsabilizar os  jovens, no sentido de serem cuidadosos, por outro, temos de não gerar sentimentos de culpa, relativamente ao risco de trazerem o contágio para casa. Há um ponto de equilíbrio emocional e psicológico, que sendo difícil, deve ser procurado a fim de se manter uma saúde mental equilibrada, nesta faixa etária tão volátil emocionalmente."

Para que o risco de contágio seja diminuído ao máximo, é importante que se adotem algumas regras, tanto nos intervalos das aulas, como no regresso a casa: "Estamos num exponencial, que não permite facilitismos, logo as idas ao chamado recreio devem ser condicionadas, e os almoços devem ter horários desencontrados, de modo a evitar-se o mais possível o aglomerado dos alunos. No regresso a casa, os sapatos devem ficar à porta. Devem ir de imediato ao wc, lavar as mãos com cuidado. Devem colocar a roupa para lavar e tomar banho logo em seguida."

No entanto, há um problema que persiste e que tem afetado muitas escolas em Portugal, de norte a sul do país, devido às baixas temperaturas que se têm registado. "Parece óbvio, que o frio, o desconforto daí resultante, diminuem a qualquer um de nós, e particularmente às crianças, a capacidade de concentração. Se, acrescentarmos, a questão de alguns jovens, que vão inadequadamente alimentados para as aulas, temos então as condições ideais para um baixo rendimento escolar."

Entrevistado: José Carlos Almeida Nunes, especialista de medicina interna no Hospital Lusíadas Lisboa 

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